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MAGAZINE INDEPENDENTE

Quarta-feira, 16 de Julho de 2008

Azael Moyana

Com um projecto de afirmação de crianças no mundo da música

Produtor Roland agastado com as editoras

"As crianças devem criar músicas para sua idade", assegura o produtor

Os jovens estão a fazer músicas que não respeitam os valores infantis

O produtor Roland, que se afirmou no mercado musical nacional com o projecto Mabulu, disse estar revoltado contra a Vidisco e a Globe Music, por não terem acedido a uma proposta de editar músicas de um grupo por si criado, "Seguindo Sonhos". Roland explicou a necessidade de criar uma academia que apelidou de "Academia dos sonhos" onde trabalha com crianças dos 10 aos 17 anos de idade, que irão, até ao final deste ano, lançar três álbuns com estilos diferentes, Gospel, Pop music e músicas de Natal. "As crianças devem fazer músicas para a sua idade e não o Mc Roger, Ziqo e outros que cantam por aí, que mais não fazem se não viciarem menores com músicas promíscuas" rematou o nosso entrevistado.

Academia dos Sonhos é uma "fábrica" criada pelo produtor, para formar crianças na arena musical. O objectivo central da criação desta academia, segundo o nosso entrevistado, é afirmar crianças no mundo da música, de modo a que as mesmas criem seus próprios ritmos, com mensagens da sua idade e cresçam num ambiente saudável, longe da promiscuidade que se tem verificado nas músicas feitas actualmente por jovens.

"Temos verificado, nos últimos anos, que a música está virada para um lado que constitui perigo para os valores morais e até violação dos direitos da criança, quando se diz que as crianças têm direito a liberdade, alegria e amor. Estas músicas, as que temos assistido nas televisões e ouvido nas rádios, influenciam as crianças a tomarem o gosto a muitas coisas que não são da sua idade, e, claro, ficam sem coordenadas do tipo de música que elas devem abraçar na íntegra, assim se tornando influenciadas por músicas sem identidade", desabafou o nosso interlocutor, para, depois, acrescentar que "há necessidade de se reconhecer que estamos num País em que a maior parte da população é analfabeta e temos que ter cuidado com o que vamos dizer nas nossas intervenções musicais; assim, temos que ter uma mensagem e linguagem cuidadas".

Mais adiante, aquele explicou que "Seguindo Sonhos" é o primeiro grupo que sai da academia, e, até ao final do ano, vai lançar no mercado, através de uma editora internacional, três discos contendo músicas de amor, liberdade, direitos da criança. Uma das músicas foi feita com base no discurso do saudoso "papa Samora" quando dizia "as crianças são flores que nunca murcham", onde elas exortam para que sejam livres dos abusos, e será um lançamento em grande, e isto, na óptica de Roland, vai ser uma vergonha para as editoras nacionais que não mostraram interesse em editar um trabalho com qualidade, feito por crianças, para crianças. Esta vai ser a primeira actividade de responsabilidade social que envolve crianças, na área musical, pois, "é nosso dever protegê-las de qualquer mal em sua volta".

"Estou, como produtor, a tentar explicar que os conteúdos da música jovem estão perdidos, e estes futuros jovens precisam de apoio e espaço para divulgação dos seus ritmos e mensagens, perante o que um País como Moçambique não pode ficar de braços cruzados, quando estas (crianças) querem mostrar o seu trabalho. Por não terem tido "Feed back", na Vidisco e na Globe Music, que são as maiores editoras nacionais, que deviam acolhê-las, elas vão, nos próximos dias, assinar um contrato com uma editora internacional e em 2009 iniciam a sua digressão pela Europa; acredito que muitos pais vão gostar e até outros já louvam a iniciativa e creio que muitas crianças também vão aderir ao projecto e, desta forma, - quem sabe?! - salvaguardamos os bons valores e a identidade cultural nos próximos anos, na terra de Fany Pfhumo, o rei da Marrabenta", rematou o produtor do Projecto Mabulu.

A dado passo, o nosso entrevistado disse que "as editoras devem estar conscientes de que, para fazer música para adolescentes, não é preciso esperar pelo Mc Roger e nem pelo Ziqo, mas sim por aquelas pessoas que entendem os anseios dos menores, isto é, as crianças criam para as outras, da sua idade, dado que, deste modo, a autenticidade e originalidade para sua geração é maior".

Convidado a se explicar como é que o produtor acha que estes pequenos artistas se vão afirmando, dia após dia, na música, Roland disse que, na academia, oferecem condições para as crianças estabelecerem contacto com músicos da praça, como os instrumentistas de varias bandas, mas com destaque para o Projecto Mabulu, e neste momento vão começar a aparecer em grandes palcos.

"Seguindo Sonhos" no 90° aniversário de Mandela

Entretanto, no âmbito do trabalho, que está sendo bastante reconhecido e admirado por encarregados de educação e pais, o grupo vai apresentar o seu trabalho em programas de entretenimento de duas estações de televisão e vão também apresentar-se num concerto na África do Sul, alusivo ao aniversário do pai da liberdade, Nelson Mandela. Elas vão entoar coros como "temos motivo para sorrir" "Não se trata com desprezo as crianças", O orgulho de ser criança africana" tudo isto no que será uma homenagem ao velho Madiba, e aproveitando afirmar que o mundo precisa de mais líderes como ele, daqueles que não tratam os seus filhos ou o povo de uma forma ditatorial, mas, sim, com amor, entre outros temas que fazem parte de um leque de músicas educativas, com boas mensagens, que os menores cantam e tocam.

Ministério da Educação e Cultura acolhe "Seguindo Sonhos"

Por outro lado, Roland disse que já alertou o Ministério da Educação e Cultura sobre a existência da academia e do grupo de petizes "Seguindo Sonhos", tendo aquele prometido integrar as crianças nas actividades do ministério, mas com concentração no festival cultural Moçambique - Alemanha. Disse ainda que há um exercício a ser feito, no sentido de pôr as crianças a cantarem ao vivo e não em play back.

Prosseguindo, o produtor da Academia dos sonhos revelou ao MAGAZINE que o agrupamento Seguindo Sonhos vai gravar alguns temas com a cantora sul africana de Gospel Rebeca Malope e já gravou com o jovem músico Azagaia, pois, do seu ponto de vista, é importante para as crianças um envolvimento nas lides artísticas para elas se sentirem também artistas e, desta forma, cultivarem, dentro de si, o espírito de artista.

A terminar, não deixou de tecer duras críticas às editoras e apela a que as mesmas se esforcem no sentido de apoiarem estes pequenos artistas, hoje, do seio dos quais sairão, provavelmente, os grandes artistas de amanhã.

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