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Félix da Esperança
Filipe
Estamos fartos de ouvir insultos nas músicas feitas por alguns jovens. Uns falam de estilos e posições sexuais, outros simplesmente pedem-nos para tirar a roupa, ora
bolas, meu Deus que espécie de músicos é esta, que mancha a nossa cultura?! Que futuro almejamos para as gerações vindouras?
Por acaso qual é o nosso objectivo. Criar uma geração de tarados ou adúlteros? E, qual é o papel da sociedade civil no que concerne a censura de tanta promiscuidade?
Exige-se mais seriedade nos nossos músicos, de igual modo, exige-se mais respeito porque quem compra, quem ouve e em última análise a vítima dessa vossa poluição
sonora somos nós o povo, a razão da vossa existência.
Actualmente a sociedade debate-se com uma constante ruptura de valores morais, por isso cabe aos músicos e todas outras forças sonantes, o papel de resgatá-los.
BeatKeepa
Começamos por fazer uma análise do estado actual da música em Moçambique. Como os senhores se devem ter apercebido a fasquia colocada pelas empresas que apoiam com
relativa exclusividade os "grandes" da nossa música jovem está cada dia mais elevada (é de louvar o seu trabalho e empenho para o conseguir), falo de grandes produções
de vídeo clips na ordem de milhares de dólares, capacidade de distribuir gratuitamente seus CD's singles promocionais na ordem de milhares de unidades, monopólio da agenda e boa remuneração
(input para próximos investimentos) nos mais badalados espectáculos a nível nacional e uma capacidade financeira relativamente boa para manter uma carreira brilhante. Tudo isso graças
ao tão precioso apoio que algumas (muito poucas por sinal) empresas têm dado para suportar essas carreiras. Somos a favor deste crescimento mas pelo simples facto de estarmos ambos inseridos no
mesmo mercado musical, acabamos tendo que disputar a atenção do mesmo público o que nos obriga a ter pelo menos o mesmo nível (financeiro) que a concorrência para que a nossa
mensagem chegue ao destino, aí é que começam os problemas visto que em Moçambique não é o Povo quem escolhe os seus ídolos.
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Amosse Macamo
"A minha filha vou-lhe bater, a minha mulher vou-lhe matar...
E...PRONTO, já é música! Assim mesmo. Manune Jackson, perdoar-me-á se o nome não estiver correcto, de dia para noite virou estrela. Dormiu e acordou mais estrela ainda,
desta vez de televisão e cara de anúncio de uma empresa de telefonia móvel que se quer líder em Moçambique. A grande estrela do promocional anúncio publicitário
é um fenómeno, que mesmo sendo pela negativa arrasta incautos ouvintes e dançantes com as suas letras claramente com tendências homicidas, indicando que vai exterminar a sua família,
a começar pela filha que se namorar com polícia e usar tchuna baby, vai-lhe bater, a minha mulher, vou-lhe matar!
Entendo que as letras de uma música devem sobretudo emprestar a quem as ouve ou escuta a capacidade de abalar convicções, de catalisar interrogações, de problematizar
assuntos candentes. O que não sabia é que podem também funcionar como paradigmas do indecor, imoral e incintamento à violência, tanto verbal quanto física. Afinal de
contas o que é música e quando se é músico? Esse é o primeiro aspecto. O segundo é: que elementos se afiguram como universalmente válidos para se ser eleito
como a cara promocional de um produto num anúncio televisivo?. Entendo que a produção musical deve envolver e estimular a sensibilização de sentimentos e, sobretudo,
demonstrar na prática a sua privilegiada capacidade de educação moral de sociedades e seus efeitos positivos. Agora, se vamos matar a nossa mulher e espancar os nossos
filhos parece-me que estamos claramente a denigrir o espírito crítico e capacidade construtiva e educativa que se espera do teor das mensagens das nossas músicas. Aliás, a música
é considerada como uma prática cultural e humana.
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